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Escrito por Wagner Aragão   
Ter, 17 de Março de 2009 17:51

5. PALAVRAS DE SOFRIMENTO

INTRODUÇÃO:

A declaração de Jesus que vamos estudar agora está relatada em mateus 27: 45 e 46. foi a quarta palavra, a quarta frase de Jesus na cruz.

o texto começa dizendo que houve trevas sobre toda a terra desde a hora sexta (meio dia) até a hora nona ( três horas da tarde).

DESENVOLVIMENTO:

A cena estava montada. uma escuridão miraculosa cobriu o gólgota, escondendo a forma de Jesus aos olhos humanos. e era meio dia. A própria natureza inanimada parecia esconder a face da terrível cena do calvário, em simpatia por seu Autor agonizante. As injúrias dos lábios da multidão cessaram. medo e temor apertaram cada coração. o único barulho que se ouvia vinha dos gemidos e suspiros dos que estavam naquelas três cruzes.

cristo estava suportando o horror das grandes trevas para que um dia pudéssemos entrar na sua grande luz. o deus que é a luz tornou-se portador de pecado e suportou a escuridão da separação de seu pai. Aquele que podia salvar os outros não podia salvar a si mesmo, para que pudéssemos ser salvos.

mas, de repente, soaram palavras em meio à escuridão, rompendo o longo silêncio. e Jesus gritou como quem grita para um amigo perdido: “eli, eli” - deus meu, deus meu. sua voz estava rouca, ferida e então ele completa: “por que me desamparaste?”

os três primeiros brados da cruz foram emitidos à luz do dia. mas, nesse momento, o sofrimento do salvador foi envolto em trevas. o brado de abandono, como é chamado,

ocorreu apropriadamente no meio das sete frases. É ele que

nos faz adentrar o mistério do deus sofredor. “meu deus, meu deus, por que me abandonaste?”

É preciso compreender que na cruz foram convergidas todas as forças do universo: o homem fez a sua parte assassinando o filho de deus e mostrando a maldade de seu coração; satanás fez a parte dele esmagando a semente da mulher e demonstrando ridícula hostilidade; Jesus realizou a sua obra, pois morreu “o justo pelos injustos, para conduzir-nos a Deus.” I Pedro 3: 18; por fim, Deus também fez sua parte demonstrando sua justiça e amor, quando derramou sua ira sobre o filho.

para que deus nos abençoe, ele deve dar as costas a si mesmo. sem dúvida, devemos nos aproximar da cruz, maravilhados. Mas, a grande pergunta é: O que significa

este clamor de abandono por parte de Jesus? primeiramente precisamos deixar claro que o grito de

Jesus reflete uma angústia real. Deus não está brincando

de esconde-esconde. ele deixou, de fato, seu filho sozinho na cruz. deus permitiu que Jesus experimentasse o aniquilamento total, pois de outra forma a vida e esperança não retornariam ao coração dos homens.

por mais que não pareça, a oração de Jesus agonizante

foi uma oração de confiança e não de desespero. Em Sua

maior angústia, ele bradou ao seu único consolo e amparo. não houve revolta em suas palavras. ele não estava

cobrando uma intervenção magnífica por parte do Pai.

estava abandonado por tudo e por todos, inclusive pelo pai. mesmo assim, manifestou-lhe a sua dor. ele creu no pai, tanto que a ele recorreu, mesmo que fosse para comunicar que a solidão estava insuportável.

“meu deus, meu deus, por que me abandonaste?” Que diferença das experiências anteriores com o pai! no Jardim do getsêmani, tivera um deus que o fortalecera. na cruz, o mesmo deus lhe deu as costas. no getsêmani, ele

podia chamar doze legiões de anjos que o teriam salvado

rapidamente. Antes disso, afirmou que o Pai não O deixara

só. porém, o pai lhe deu as costas. no getsêmani, o filho foi tentado a abandonar o pai. na cruz, o pai abandonou o filho.

somente aqui, em todo o evangelho, Jesus se dirige ao

Pai como “Deus”. Essa mudança de tratamento significa

quebra de comunhão entre pai e filho. naquele momento o pai não parecia estar agindo como um pai. o sofrimento do filho já era terrível, mas suportá-lo sem a presença do pai aumentava ainda mais o terror.

esse brado é de tão difícil aceitação para nós que muitos acreditam que o pai não abandonou realmente o filho, mas que Jesus apenas Se sentiu abandonado. Outros dizem que na agonia, Jesus começou a delirar e não sabia o que estava falando. outros argumentam que o sofrimento físico era tão intenso que aquela exclamação de abandono foi praticamente arrancada de seus lábios por causa da dor.

Mas não devemos furtar o verdadeiro significado dessas palavras. Jesus esteve consciente até o último minuto de sua vida. não delirava. ele sabia o que estava falando. e, é claro, que a dor física era terrível, mas seu brado não foi resultado dessa dor, mas sim da dor de estar se separando do pai. em saber que estava chegando ao sacrifício para salvar aquilo que mais amava no mundo: o ser humano. não nos enganemos. por nossa causa ele sofreu o verdadeiro abandono por parte do pai.

Abandonado é uma palavra forte. É uma das palavras mais tristes em qualquer idioma. um homem abandonado por seus amigos. uma esposa abandonada pelo marido. É duro imaginar que, até uma mãe, pode ser capaz de abandonar seu filho. Aí concluímos que do ser humano podemos esperar tudo. mas de deus?... de deus só esperamos consolo. de deus só esperamos presença

amorosa na hora do desespero. sem deus nada podemos, sem ele não sobra nada.

A ausência de deus é o momento da mais suprema prova pela qual podemos passar. porque aí se mostra o momento da verdadeira tentação: a de desistir dele. A tentação de aderir plenamente ao mal, de descrer totalmente do amor.

porém, ali estava Jesus no momento mais doloroso de sua vida. pregado na cruz e impossibilitado de se mexer, estava ali pagando o preço de nossa culpa e, pior ainda, por causa disso completamente abandonado pelo pai.

o filho era amado pelo pai desde a eternidade. A presença do pai era seu único prazer. Assim a ocultação da face do pai era o gole mais amargo do cálice que ele decidiu beber por nós. se nós, que somos pecadores, consideramos aterradora a idéia de ser abandonado por deus, pense no sofrimento do filho, que por toda a eternidade havia estado ao lado do pai! imagine-o sendo abandonado!

se deus não abandonou o povo de israel quando estava diante do mar vermelho; não abandonou os três jovens hebreus na fornalha ardente; não abandonou daniel na cova dos leões ; se ele promete que nunca nos abandonará, que nunca nos deixará ; como é então que no momento mais crítico , o pai se esqueceu de Jesus? em que sentido Ele Se afastou do Filho? Por que o Pai ficou em silêncio?

dois mil anos antes, deus pedira a Abraão que oferecesse

seu filho Isaque sobre um altar erguido no Monte Moriá.

no entanto, quando a faca foi erguida, Jeová interveio. “não toque no rapaz... não lhe faça nada. Agora sei que você

teme a Deus, porque não me negou seu filho, o seu único filho.” (Gen 22:12). E assim a vida de Isaque foi poupada.

A voz proferida no monte moriá estava agora silenciosa no calvário. então, por que o filho foi abandonado pelo pai?

os anjos, sem dúvida, buscaram uma resposta, pois têm interesse no assunto relativo à nossa salvação. (i pedro 1:12). os fariseus, que se encontravam à boa distância da cruz, não tinham a capacidade de responder. os sacerdotes e soldados romanos não tinham também como compreender.

o mesmo acontece hoje. muitos continuam indagando como isso foi possível. vamos procurar entender.

primeiro essa expressão “deus meu, deus meu, por que me desamparaste?” está registrada no salmo 22:1. Jesus deve ter aprendido o salmo 22 quando era criança. de certa forma, este salmo era uma profecia do que aconteceria no calvário e é chamado o salmo da cruz. ele começa exatamente assim: “deus meu, deus meu, por que me desamparaste?” (v.1). o verso 2 apresenta outro clamor de tristeza e solidão e o verso 3 explica: “contudo tu és santo...” (salmo 22:3). Quer dizer que deus abandonou seu filho porque ele é santo? Ao ler Habacuque 1:13, talvez você entenda melhor o que estamos estudando. o versículo diz assim: “tu és puro de olhos e não podes ver o mal, e a opressão não podes contemplar.” (Hab 1:13).

Agora é preciso juntar as peças para formar o quadro: antes de qualquer coisa é preciso saber que na cruz do calvário Jesus estava pagando o preço do pecado. o pecado de quem? do meu, do seu, o preço do pecado de todos os seres humanos de todos os tempos; todos os pecados havidos e por haver, todos os pecados imaginados, todos os pecados acontecidos ao longo da história deste mundo, desde o primeiro pecado de Adão e eva, até o último pecado que neste momento está sendo cometido. todos os pecados, os que serão cometidos amanhã e depois de amanhã, todos os pecados de todos os tempos, de todos os homens foram depositados nos ombros do senhor Jesus, quando ele morreu na cruz.

 

o mais terrível do pecado é a separação que ele provoca entre o criador e a criatura. o mais terrível do pecado está retratado na cruz. o pecado separou deus, o pai, de deus

o filho. os olhos de deus são tão puros que não podiam contemplar a iniqüidade. Agora entendemos porque o meio dia se tornou meia noite. As trevas físicas simbolizavam a separação entre cristo e o pai, que é luz.

o teólogo John stott escreveu: “nossos pecados obscureceram o brilho do sol da face de seu pai.” isso explica porque ele teria preferido não beber desse cálice. Ao longo de toda a vida sofrera nas mãos dos homens. em determinado momento sofreu nas mãos de satanás. mas agora sofria nas mãos de deus. “deus meu, deus meu, por que me desamparaste?” - “porque tu és santo”- é a resposta que ele mesmo dá. o pai abandonou o filho porque sua santidade o exigia. ele foi separado do pai por causa do pecado. isaías 59:1 e 2 ensina que o pecado nos separa de deus. em ii coríntios 5:21 lemos que Jesus  “ se fez pecado por nós”. Ao tornar-se “pecado por nós”, ele recebeu o castigo de nossos pecados, e a última penalidade do pecado é ser abandonado por deus (ii tess.1:9).

 

Até onde Jesus estava disposto a ir para nos salvar?

Mateus 27:46 especifica a distância. Jesus deixou a

imponência do céu, mas ele foi mais longe do que isso. ele veio a esta terra como ser humano e servo. mas ele foi ainda mais longe. ele sofreu vergonha e rejeição , porém foi mais longe. ele foi para a cruz, mas a jornada ainda não

estava no fim. Para nos salvar Jesus estava disposto a ir até

o lugar do abandono de deus.

ele foi abandonado nas trevas exteriores para que pudéssemos caminhar na luz. ele foi abandonado por deus para que fôssemos aceitos por ele. Agarremo-nos hoje a essa promessa: “nunca te deixarei, nunca o abandonarei.” (Heb.13: 5).

paulo assegura-nos de que nada nos poderá separar do amor de cristo. ( rom 8: 35 a 39).

ele foi amaldiçoado para que fôssemos abençoados. ele foi condenado para que pudéssemos dizer: “portanto, agora já não há nenhuma condenação para os que estão em cristo Jesus.” (rom 8:1 ). ele sofreu os horrores do inferno (segunda morte) para que desfrutássemos o céu com ele. ele bebeu o cálice da angústia para que bebêssemos o cálice da alegria. o pecado como uma repulsiva serpente agarrou-se a ele, mas ele suportou a picada por nós. não consigo entender isso: como Jesus pôde fazer isso por nós? como pôde amar a mim e a você tanto assim? Além disso, como pôde sofrer o castigo eterno pela culpa de todos os pecadores naquele período comprimido na cruz? não consigo entender nada disso, mas posso aceitar tudo pela fé e de todo coração agradecer a deus “pelo seu dom inefável.” (ii cor 9:15).

CONCLUSÃO:

depois de tudo o que Jesus fez por nós, tenha certeza, meu amigo, que quando aceitamos a ele, podemos nos esconder atrás dos muros de sua graça e que estamos salvos da ira.

um homem que não tinha nenhuma consideração por deus, estava à morte em um pequeno abrigo. com a aproximação de seus momentos finais, pediu à filha para assoprar a vela que estava sobre a mesa. ela disse “não, pai. você não pode morrer no escuro.” ele respondeu: “sim, eu morrerei no escuro.” ele morreu, da maneira que viveu. viveu em trevas, morreu em trevas.

conosco não precisa e nem deve ser assim. na cruz Jesus proferiu palavras de esperança para você e para mim, dizendo que estava sendo abandonado para você ser achado, encontrado, perdoado e amado.

Quando disse estas palavras de esperança o fez na escuridão para que você e eu tenhamos a sua luz. vivamos na luz de sua palavra e estejamos com ele em seu “reino de luz” quando voltar a esta terra.

sou grato a deus, mais uma vez, por tudo o que sofreu por mim na cruz. Quero aceitá-lo mais uma vez em meu coração, como o meu maravilhoso salvador. se você tem o mesmo sentimento de gratidão a deus e se quer, nesta noite, recebê-lo em seu coração e aceitá-lo como o seu salvador, como o Senhor de sua vida, fique agora em pé. Quero fazer uma oração especial por você!

oração