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HISTÓRIA DA ADRA

Sua origem nas obras de caridade nas zonas urbanas deprimidas

O interesse da denominação na obra humanitária não sectária se manifestou pela primeira vez, de maneira organizada, nos primeiros anos da década de 1890. Os dirigentes da igreja daquele tempo fundaram a Associação Adventista Médico Missionária e de Benevolência, e iniciaram programas caritativos nos bairros marginais da cidade de Chicago. Financiada no início pelos ganhos da incipiente obra médica, e mais tarde, mediante donativos importantes de alguns membros da igreja, a missão de Chicago incluía um albergue para pessoas sem lar, um restaurante com comidas que custavam um centavo, alojamento econômico, distribuição de roupa, um lar para mães solteiras e/ou abandonadas, um centro comunitário de saúde e recreação para mães com seus filhos na zona do cais, e uma agência de empregos para reclusos que conseguiam a liberdade. A idéia alcançou outras cidades, até que, em 1903, os adventistas operavam missões semelhantes em 24 cidades, abrangendo 17 estados, em três diferentes países.

As guerras Mundiais transferiram o interesse à assistência a casos de desastres

Entretanto, o pujante programa missionário mundial da igreja chamou a atenção dos dirigentes para os países de ultramar. Os pioneiros logo fundaram escolas, clínicas e hospitais. Em 1918, a igreja arrecadou fundos para enviar provisões aos europeus afetados pela Grande Guerra. A Segunda Guerra Mundial produziu uma devastação sem precedentes na Europa, em partes da Ásia e no Norte da África. Nações inteiras ficaram sob a ameaça da fome e da enfermidade. Em 1944 e 1945, a igreja estabeleceu depósitos em Nova Iorque e São Francisco para processar material de auxilio para embarques marítimos. Durante a década iniciada em 1940, foram enviadas cerca de 1.270 toneladas de roupa a 41 países e grupos de ilhas. Muitos desses paises foram afetados pela Segunda Guerra Mundial, especialmente na Europa e no Pacífico.

A Agência organizou-se em 1956

Devido às atividades de assistência terem aumentado depois da Segunda Guerra Mundial, os dirigentes viram a vantagem de dar a essas crescentes operações internacionais uma clara identidade, como um serviço especial da igreja. Em novembro de 1956, a Associação Geral votou a organização de Seventh-day Adventist Welfare Service (SAWS).

Essa entidade deveria executar, promover, desenvolver e administrar obra caritativa ou educacional para:

- levar auxilio nacional e internacional aos povos de todas as nações, em tempos de paz ou de guerra, para aliviar a dor, a fome e o sofrimento, mediante a provisão de alimentos, roupas e medicamentos, e também fundos e serviços para sua administração e distribuição;

- colaborar na reabilitação espiritual, moral e física das vítimas da guerra e outros desastres, inclusive na emigração, repatriação e recolocação de refugiados, e na provisão e administração de serviços sociais como sendo saúde, educação, recreação, auto-ajuda, treinamento vocacional e centros comunitários, inclusive provisão de fundos, mercadorias e equipamentos; e

- executar obras de reconstrução mediante a provisão de serviços técnicos, fundos, elementos e equipamentos para a restauração, construção e instalação de escolas, bibliotecas, orfanatos, hospitais, centros médicos, plantas industriais e projetos agrícolas.

Este mandato, aparentemente amplo, concentrou a atenção da organização quase exclusivamente em atividades de assistência. A aplicação do conceito de desenvolvimento logo seria produzida, apenas duas décadas depois.

Não obstante, esta declaração de propósitos abriu o caminho para o imediato e notável crescimento das operações. Em 1958, o SAWS informou envios de elementos de auxilio a 22 países por um valor total de 485.000 dólares. Quatro anos mais tarde o número de países havia aumentado para 29, com envios em um valor total de 2.330.000 dólares. Durante este período, os países beneficiados incluíam alguns da América do Sul e do Oriente Médio, lugares onde aconteceram desastres de importância.

Os programas de distribuição de alimentos predominaram no princípio

Muito deste crescimento deveu-se à relação de SAWS com um organismo do governo Norte-americano denominado United States Agency for Intemational Development (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional - USAID), que se responsabilizou pela implementação das disposições da Lei Pública 480. Essa lei estabelecia a distribuição dos excedentes de alimentos dos Estados Unidos a países estrangeiros por meio de organizações privadas voluntárias como SAWS. Como resultado disto, de 1960 à 1962, a quantidade de envios de alimentos por parte de SAWS quadruplicou. De cerca de umas 3.000 toneladas foi para 12.000. Para 1969, SAWS havia duplicado a quantidade de países nos quais trabalhava, bem como a distribuição de roupas e medicamentos. Porém, o acento estava posto sobre a assistência frente a desastres, com muito trabalho na América do Sul.

Os primeiros passos em direção ao desenvolvimento

Nos meados da década de 1970, a organização começou a ampliar sua missão de auxílio em casos de desastres a programas conducentes ao desenvolvimento a longo prazo. O SAWS Reporter (Relatório de SAWS) de 1976, um boletim de promoção da oferta bienal daquele ano, oferecia uma breve história acerca de uma nova iniciativa que se estava desenvolvendo em Chad: o treinamento de 150 agricultores de língua francesa em atividades agrícolas. Os agrônomos ajudariam os agricultores a desviar as águas de um rio e levá-las a uma zona seca, porém fértil, e lhes ensinariam técnicas adequadas para administrar o sistema de regadura com a finalidade de cultivar milho-zaburro, arroz, milho, batatas e verduras.

Os administradores do SAWS diziam em seu relato: "O programa de Chad representa uma nova área de serviço de auto ajuda para o SAWS. Desde sua fundação, em 1956, o SAWS tem sido uma agência dedicada a atender as vítimas dos desastres e da fome. Este esforço é uma tentativa de longo alento para alimentar os famintos da zona Saheliana da África".

Este projeto, que teve muitíssimo êxito e se converteu em um modelo de desenvolvimento, coincidiu com a ampliação da visão simbolizada por uma pequena mudança, porém significativa, do nome da Agência. Em 1973, a igreja substituiu a palavra "Welfare", assistência social, por "World", mundo, para sugerir que havia um deslocamento da ajuda em casos de crise a iniciativas mundiais para o desenvolvimento humano em geral. SAWS passou a ser Seventh-day Adventist World Service, ou seja, Serviço Adventista Mundial.

Nova ênfase e novo nome

Os anos finais da década de 1970 encontraram o SAWS desenvolvendo intensamente sua relação com USAID para colaborar em atividades similares à do projeto agrícola de Chad. Em 1982 OFASA recebeu da USAID um grande donativo para um programa de recursos humanos e desenvolvimento comunitário em 23 países, principalmente da África.

Este donativo provavelmente foi o que finalmente determinou que o desenvolvimento comunitário fosse o principal método de trabalho da Agência. Doadores governamentais do Canadá, Austrália e Europa começaram a dar, nesse tempo, donativos em dinheiro para desenvolvimento comunitário às entidades da igreja também.

Enquanto isso, outra entidade na sede mundial da igreja começou descobrir oportunidades de donativos por parte de governos europeus. Também no final da década de 1970, o "Comittee for Institutional Development" (Comissão para o Desenvolvimento Institucional), da Associação Geral, recebeu uma subvenção de vários centos de milhares de dólares. O dinheiro provinha da EZE (Evangelische Zentraistelle für Entwicklungshilfe - Escritório Central Evangélico de Ajuda para o Desenvolvimento), um escritório de ajuda ao estrangeiro e do governo da Alemanha Ocidental, que foi destinado para a nova construção da Universidade de Montemorelos, no México. Com esse êxito, a comissão começou atrair fundos para instituições adventistas de outros doadores europeus como a Swedish Intemational Development Agency [Agência Sueca para o Desenvolvimento Internacional] SIDA, e outras organizações similares da Noruega, Dinamarca e Holanda.

A igreja necessitava dar ênfase à mudança de uma organização dedicada predominantemente à assistência social, a outra que incluísse também o desenvolvimento comunitário e institucional. Também necessitava proporcionar uma melhor coordenação e promoção destes diferentes programas, ainda que, relacionados entre si. Para fazê-lo, os dirigentes da igreja fundiram em 1983, a SAWS e a Comissão para o Desenvolvimento Institucional, para formar a "Adventist Development and Rellef Agency", ADRA, ou seja, Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais.

O nome e a sigla, ADRA, se cunharam pela primeira vez em 1981/1982, durante consultas feitas na Holanda entre as duas divisões européias da igreja.

Programas em expansão

Mais ou menos quando se executou a reorganização, a ADRA proporcionou ajuda financeira para abrir escritórios na Europa e Canadá, e vários escritórios-chave em países e regiões onde se estavam executando programas. Isto contribuiu para dar fundamento ao rápido crescimento que se produziu em meados e fins da década de 1980. No curso da década, o programa da ADRA cresceu rapidamente, com projetos importantes em vários países, com ênfase ao desenvolvimento comunitário, à distribuição de alimentos, ao desenvolvimento institucional e à constante assistência em casos de desastres.

Hoje, o escritório da ADRA Internacional em Silver Spring, Maryland, serve como coordenador de uma rede crescente de escritórios de apoio e de implementação disseminados por todas as partes do mundo. Os escritórios regionais estão situados de acordo com os escritórios das doze divisões de ultramar da igreja. Esses escritórios regionais da ADRA supervisionam a obra da Agência a nível das atividades sub-regionais e de países. Os escritórios dos países que deram apoio são conhecidos como países de "apoio" à ADRA, e os dos países onde estão sendo desenvolvidos programas chamam-se países de "implementação" da ADRA.

A rede global da ADRA, atualmente ativa em 143 países, desenvolve tarefas humanitárias que, em 1995, tinham um valor superior aos 120 milhões de dólares.