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Escrito por Pr. Hélio Coutinho Costa   
Qua, 17 de Dezembro de 2008 09:31
ZAQUEU, ANTES E DEPOIS DE CRISTO
Pr. Hélio Coutinho Costa
I - Introdução
            Maria Duran tinha apenas 15 anos quando, em 1730, foi sentenciada à infamante Torre da Rainha... O comando militar esperava ensinar tanto a ela como a outros a necessidade de ceder às leis sociais e religiosas do país. Maria, porém, não cedia. Ventos frios sibilavam através das estreitas aberturas na parede de mais de cinqüenta centímetros de espessura da torre redonda. Mosquitos transmissores de febre enxameavam nos pântanos ao redor. A grande umidade destruía tanto quanto podia apodrecer. Outros na prisão se retratavam. Maria, não...
            Por 38 anos viveu nessa prisão infestada de vermes, só sendo libertada com a idade de 53 anos. Sete anos e meio antes de sua morte, Maria escreveu: “Deus nos deu as preciosas verdades da Bíblia; a estas importa que eu seja fiel, e não me demonstre traidora como Judas.” Que clara visão a de Maria!
            Temos estado preocupados em apresentar-nos fiéis a Deus? Somos fiéis? Temos sido fiéis?
            Queremos analisar a vida de um homem infiel que, ao encontrar-se com Cristo, demonstrou seu desejo de ser uma pessoa diferente. Este homem era Zaqueu.
II - Quem era Zaqueu?
            Lucas 19:1-10
            O nome Zaqueu quer dizer “puro”, mas assim como outros, o nome da pessoa nem sempre revela seu caráter. No caso de Zaqueu, posteriormente esta realidade se cumpriu.
            Zaqueu era um homem detestado pelo povo de Jerico, pois seu ofício, “cobrador de impostos”, tornava-o insensível às necessidades humanas, ao sofrimento, à miséria e fome; e acima de tudo o tornava ganancioso. Como chefe dos publicanos, quem sabe, estabeleceu um convênio de modo que todos os demais publicanos oprimissem o povo, apoiando-se uns nos outros em suas práticas fraudulentas. Na realidade, toda essa extorsão tornava-se um costume geral. Com isto havia um enriquecimento ilícito e desonesto.
            Porém, este rico funcionário da alfândega não era de todo endurecido para não sentir as influências divinas em seu coração. Ouvira falar de Jesus, pois por toda parte a fama de Cristo era evidente. Como Ele se dirigia a todas as pessoas independente de classe e como Ele era bondoso e cortês! Foi aí que Zaqueu sentiu o desejo de ter uma vida melhor. Zaqueu conhecia as escrituras e estava convencido de que era injusto.
            Queria ver a Jesus. E sempre no encontro de um homem injusto, pecador, com o “Todo Justo”, algo de bom acontece.
            Quão bom seria se nós reconhecêssemos as nossas limitações e sentíssemos o desejo de ver a Cristo.
            Lucas 19:4 - “Então correndo adiante, subiu a um sicômoro a fim de vê-lo...”
            Zaqueu estava tão desejoso de ver a Cristo, que estava disposto a fazer qualquer coisa, até mesmo subir numa árvore.
            Um homem rico, uma autoridade que não era benquista, poderia ser ridicularizada; mas ele não se importava, ele só queria uma coisa, ver a Jesus.
            É interessante notarmos que o sincero desejo de ver a Cristo leva a criatura a um comportamento e a uma atitude diferentes das que o mundo conhece e desenvolve.
III - Zaqueu e Cristo
            O sicômoro onde Zaqueu subiu é um tipo de árvore cujas folhas se parecem com as folhas da macieira e os frutos com os da figueira. São árvores de galhos baixos, que proporcionam uma boa sombra. Era comum encontrar estas árvores a caminho das portas da cidade. E exatamente neste tipo de árvore Zaqueu subiu.
            Naquela estrada, debaixo da árvore, exatamente ali, Cristo passava e provavelmente, alguém deve ter dito a Cristo: “Olhe para cima, veja aquele homem, é Zaqueu o cobrador de impostos.” Quem sabe, alguém deve ter criticado: “Onde já se viu, subir numa árvore!”
            O que você faria e diria se visse seu pastor deitado no galho de uma árvore? Se fosse o ancião ou qualquer membro que ocupasse um cargo de responsabilidade em sua igreja, o que você diria e pensaria? Com certeza diria: “Ele não está regulando bem”, “Ele está com algum problema mental” ou quem sabe: “Ele está louco.”
            Pense um pouco nas observações que se levantaram ao verem Zaqueu trepado no galho da árvore. Estamos mais propensos a fazer observações e críticas, do que investigar as razões que levam o ser humano a se comportar de forma diferente.
            Mas Cristo não vê assim. Ele viu aquele homem na árvore, mas muito mais do que um estranho, Cristo viu a necessidade do homem, por isso rapidamente disse: “Zaqueu, desce depressa, pois me convêm ficar hoje em tua casa.”
            Cristo vê o interior, sonda o nosso coração e pensamentos. Ele sentiu que estava ali um homem que se via como um pecador, mas que também compreendia a necessidade de encontrar um ser santo.
            Quão bom seria se nós também sentíssemos essa necessidade!
            Quando Cristo viu a Zaqueu e sua necessidade, solicitou que descesse depressa, pois é desejo de Deus colocar-se rapidamente ao lado da criatura, para satisfazer-lhe o anseio da alma.
            Zaqueu desceu depressa e Jesus foi à casa desse pecador. Zaqueu só queria ver a Jesus. No entanto, algo mais aconteceu, encontrou-se com Jesus. Recebeu-O em seu lar.
            No encontro da criatura, do ser humano com o Criador, o Redentor, as bençãos alcançadas são as maiores do que pensamos e esperamos. Quem sabe o que nos falta para sermos pessoas diferentes, é a pessoa de Cristo. Por que Cristo faz a diferença.
IV - Cristo no coração de Zaqueu
            “Todos os que viram isto murmuravam, dizendo que Ele se hospedara com um pecador.”
            Cristo não se importou e não se importa com isto, pois Ele quer estar no lar, na vida, no coração da criatura, mesmo que esta venha a ser o maior pecador.
            Pelo fato de Cristo expressar seu desejo de ir à casa de Zaqueu, este homem foi tocado pelo poder do Espírito Santo. Nosso Senhor não o acusou, não o criticou, não fez observações quanto a sua falta de honestidade, mas somente pelo fato de estar diante de um Ser santo, Zaqueu foi impressionado quanto à necessidade de ser fiel a Deus e a seu semelhante: “Senhor, resolvo dar aos pobres a metade dos meus bens, e se nalguma cousa tenha defraudado alguém, restituo quatro vezes mais.”(verso 8)
            Quando Jesus entra na vida de uma pessoa, Ele afugenta o egoísmo. Quando Jesus entra na vida de uma pessoa, Ele afugenta o orgulho. Quando Jesus entra na vida de uma pessoa, Ele afasta a exaltação. Quando Jesus entra na vida de uma pessoa, Ele afasta a ganância. Quando Jesus entra na vida de uma pessoa, Ele afugenta o desejo de poder. Quando Jesus entra na vida de uma pessoa, há arrependimento. Quando Jesus entra na vida de uma pessoa, há confissão. Quando Jesus entra na vida de uma pessoa, há abandono do pecado.
            Por que Zaqueu assim procedeu? Porque Jesus estava em seu lar, em sua vida, em seu coração. Quem sabe deixamos de viver como deveríamos, deixamos de fazer o que Deus deseja, porque Cristo não está presente em nossa vida.
            Quem sabe o que nos falta, para sermos pessoas diferente, é a pessoa de Cristo. Porque Cristo faz a diferença.
            Quando Jesus entra na vida da pessoa há fidelidade. “... Senhor, resolvo dar aos pobres a metade dos meus bens.”(verso 8)
            Ele havia furtado explorando os pobres; agora Cristo em seu coração fizera com sentisse a necessidade de ser fiel.
            Cristo em nosso coração proporcionará uma vida de fidelidade. Deus espera isso de mim e de você. “Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento em Minha casa.” Mal. 3:10
            Quando Jesus entra na vida da criatura, há gratidão, há liberalidade. “... restituo quatro vezes mais.”(verso 8)
            Jesus não lhe pedira que devolvesse alguma coisa, muito menos estabeleceu condições para restituir aquilo que extorquira. O que aconteceu então? Quando Cristo entra no coração, na vida da pessoa, transforma a tal ponto, que o viver dessa pessoa passa a ser de total gratidão e liberalidade.
            Nossas ofertas são provas de gratidão a Deus. E como Deus nos ama de forma extraordinária e inigualável, e por termos usufruído este amor, provamos nossa gratidão sendo liberais com as nossas ofertas.
            Zaqueu, por ter visto e sentido tão grande prova do amor de Cristo para com ele, disse: “restituo quatro vezes mais.” Lucas 19:8
            “Cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade, porque Deus ama a quem dá com alegria.” II Cor. 9:7
            “...visto como, na prova desta ministração, glorificam a Deus pela obediência de vossa confissão quanto ao evangelho de Cristo, pela liberalidade com que contribuis para eles e para todos...” II Cor. 9:13
            “Santidade ao Senhor” deve se achar escrito nos diários e razões, nas escrituras, recibos e letras de câmbio. Os que professam ser seguidores de Cristo, e são injustos nos tratos, estão dando falso testemunho do caráter de um Deus santo, justo e misericordioso. Toda alma convertida, como Zaqueu marca a entrada de Cristo no coração pelo abandono das práticas injustas que lhe assinalaram a vida.” DTN, pág. 529
            No momento em que reconhecemos a Cristo como tudo, tudo aquilo que possuímos e somos, veremos que é nada. E este nada estaremos dispostos a colocá-lo nas mãos de Deus para que o Todo-Poderoso transforme este nada, tão insignificante, em algo grandioso, para Seus honra e glória.
            Todo aquele que procura ver a Cristo, e O contempla e O encontra, não sai deste encontro sem receber o poder que tanto necessita para vencer o pecado.
            Se não temos vivido como Deus espera, como verdadeiros e fiéis mordomos, quem sabe, o que nos falta é encontrarmos a Cristo na estrada da vida, e ouvirmos e seu chamado, solicitando que desçamos depressa do sicômoro de nossa vida, para Ele vir e estar em nosso lar, em nossa vida e em nosso coração.
V - Conclusão
            “Hoje houve salvação nesta casa...”(verso 9)
            Jesus disse: “Houve”, no passado. Ele não disse: “Há” no presente. Porque o que Zaqueu falou e fez não era um meio para a sua salvação e sem uma evidência de já estar salvo. Não fazemos algo para alcançar a graça, realizamos porque já fomos agraciados.
            “É quando se recebe Cristo como Salvador pessoal, que sobrevem salvação à alma. Zaqueu recebera a Jesus não somente como um hóspede de passagem em sua casa, mas como alguém que vinha habitar no templo da alma.” DTN, pág. 530
            Quando Cristo habitar em nós haverá: entrega, arrependimento, confissão, conversão, abandono do pecado, fidelidade, liberalidade e o desejo de cumprir a vontade de Deus.
“Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o que se havia perdido.” Lucas 19:10
            Nós somos os perdidos, mas a salvação que Cristo oferece, começa quando você e eu permitimos que Cristo entre em nosso coração, e comece a operar a transformação que tanto necessitamos, em todos os aspectos de nossa vida.
            Cristo na vida de Zaqueu transformou-o em um novo homem.
            Cristo em nós, a certeza da salvação.